Boletim Técnico de Hortaliças No 57
1a edição /Junho 2000
Departamento de Agricultura

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O Cultivo de Alho (Allium sativum L.) para Fins Medicinais
Aldrien de Sousa (a)

Gabriella Souza Cintra (a)

Henrique Bonamichi Gâmbaro (a)

Patrick Fernandes Lopes (a)

Wilson Roberto Maluf (b)

(a) alunos do 8o período do Curso de Agronomia/UFLA 

(b) Professor Titular, Dept. Agricultura/UFLA


 
 
 

1 – INTRODUÇÃO
 
 

O emprego dos vegetais como alimento, medicamento ou cosmético, se perde na história do homem na face da terra. Os estudos de arqueologia demonstram que há mais de 3.000 anos as plantas eram utilizadas para esses fins.

A fitoterapia, ou terapia pelas plantas, era conhecida e praticada pelas antigas civilizações. Pode-se afirmar que o hábito de recorrer as virtudes curativas de certos vegetais é uma das primeiras manifestações do esforço do homem para compreender e utilizar a natureza. É admirável que todas as civilizações, em todos os continentes, tenham desenvolvido pesquisas sobre as virtudes das plantas para fins alimentícios, medicinais e cosméticos. Mas, é mais admirável que este conjunto de conhecimentos tenha subsistido por milênios. Em todos os países, tanto desenvolvidos como em desenvolvimento, as plantas medicinais são utilizadas. Nos primeiros, as plantas não só constituem matérias primas para produção industrial de derivados químicos puros, mas, como nos países em desenvolvimento, fazem parte de extratos ou compostos fitoterápicos utilizados no tratamento das mais diversas enfermidades.
 
 
 
 
 
 
 
 

2 – O ALHO
 
2.1 – IDENTIFICAÇÃO 

Planta perene, com até 60cm de altura, bulbo composto de pequenos dentes (bulbilhos), envolto em túnicas esbranquiçadas; folhas pontudas, longas, achatadas, amareladas (quando maduras); flores pequenas, em cachos, de cor rosada ou branca. Sabor amargo, intenso e persistente; odor característico.

2.2 – HISTÓRICO 

Desde os primórdios de nossa civilização, o alho vem sendo usado pelo homem tanto como recurso culinário tanto quanto como recurso terapêutico. Gravações muito antigas demonstram que o alho era usado como remédio desde os tempos antes de Cristo pelos babilônicos, chineses, gregos e romanos. Hoje em dia é usado em todo o mundo, sendo amplamente conhecido e usado no Brasil.


 
 
 

3 – O PLANTIO
 
O plantio do alho pode ser feito em um quintal, um cantinho qualquer, vasos e caixotes e até em grandes áreas. No caso do plantio em hortas, as dimensões de um canteiro são determinadas de acordo com a área a ser plantada. Porém, uma sugestão de canteiro é:

Þ Altura: de 15 a 20 cm.

Þ Comprimento: 5 m.

Þ Largura: 1 m.

Þ Distância entre um canteiro e outro: de 20 a 30 cm.

O tipo de plantio é direto no canteiro e sua época é no mês de marco.O espaçamento indicado é de 25 cm entre linhas e de 15 cm entre plantas.A adubação melhor recomendada é aquela realizada através dos dados obtidos pela análise de solo. Mas, uma adubação que pode ser recomendada é de 10 litros de composto orgânico / m2 ou 10 colheres de adubo químico 4 – 14 – 8/ m2.

A época de colheita é a partir de 6 meses, com rendimento aproximado de 5kg por canteiro (5m2).


 
 
 
 
 

4 – USOS E PROPRIEDADES

Durante séculos o alho foi utilizado não apenas como erva culinária, mas também como um remédio para resfriados e outras infecções respiratórias, já que ele modifica as secreções brônquicas, ajudando a desobstruir as vias aéreas e desodoriza secreções respiratórias. Hoje, os fitoterapeutas também utilizam-no para aliviar as dores de gazes e para livrar o organismo de vermes intestinais. Pesquisas indicaram as propriedades anti-sépticas do alho, que também é um antiespasmódico comprovado. Além disso, ele pode ser eficiente na redução dos níveis de colesterol, inibindo a formação de radicais livres, na prevenção do câncer e da diabetes.

O alho possui, em sua constituição, cálcio, enxofre, iodo, silício, sódio, ferro, vitaminas A, B1, B2 e C, além da alicina e aliina, dentre outros. Sendo assim é indicado para afecções pulmonares, bronquite, asma, gripes, tosse, rouquidão, diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, vermes intestinais e anti-radicais livres.

4.1 – CONTRA INDICAÇÕES E EFEITOS COLATERAIS

É contra indicado para pessoas que possam possuir hipersensibilidade ao óleo de alho e em altas dosagens (DL50 = 100mg/Kg) além da posologia indicada, pode ocorrer irritação gástrica e náuseas. Pode ser perceptível odor na respiração e na pele.

4.2 – DOSAGEM E MODOS DE USAR

Para alcançar sua ação medicinal, o alho deve ser tratado de tal forma que se obtenham produtos derivados e com ação específica. O uso indicado é interno. Podendo ser preparado das seguintes maneiras:

Þ Óleo de alho: 0,03 a 0,12 ml 3 vezes ao dia. O óleo só pode ser preparado através de um processo de destilação ou por extração com solventes.

Þ Infusos: 2 ou 3 dentes de alho amassados em uma xícara de água. Tomar por 3 semanas.

Þ Alho fresco: Utilizar 4g ao dia.

Þ Bulbo seco: 2 a 4g 3 vezes por dia.

Þ Tintura: 1:5 em álcool 45% , 2 a 4 ml 3 vezes ao dia.

Þ Crianças: Somente usar doses pequenas e diluídas.
 

 
 
 

4.3 – PRECAUÇÕES NO ARMAZENAMENTO

Armazenar preferencialmente em recipientes bem fechados, em ambientes secos e arejados, ao abrigo do sol.

5 – BIBLIOGRAFIA

TRENTINI, A. M. M. Herbarium: Compêndio de Fitoterapia. Editora Herbarium. Curitiba, 1995. 317p.

Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais. Reader’s Digest. Rio de Janeiro. 1999. 416 p.

Projeto Pró-Horta. Secretária do Estado da Agricultura de MG.

OUTRAS FONTES:

Grupo BIODERME – Produção e Comercialização de Produtos Naturais

www.garlicpage.com

www.relthy.com.br